Daufen Bach.:Pequenos versos reticentes

20 junio 2011

tomo_5
Esses dias, todos, estou morto,
purgando minha úlceras,
lepras
e punhetas.

Tenho algum resto de soda cáustica nos olhos
e um amargor no peito,
um gastamento,
desfecho.

Não estou com rancor, tampouco ódio,
tampouco puto da vida.
roubo sempre um pouco do doce fiapento
das mangas coquinho,
mas ainda sim em stand by, pausado.

Talvez no minuto seguinte
o teatro abrirá as cortinas e estarei límpido,
puro,
com a barba feita
e um grande sorriso nos dentes.

Com unhas lixadas,
sapatos engraxados
e cabelos escovados,
mas, por hora,
insisto nessa minha hibernação de Lázaro.

Por hora, arranquei os fios da campainha,
bloqueei os e-mails,
esqueci as senhas...
por comodidade perdi os telefones.

Hora ou outra bebo o humor ácido de Millor
e visto-me de espartano.

Afrodite me vigia. salivo nas coxas de Atena.

sucumbo
feito moribundo
na extrema pulsão de meus afetos...
não, não estou pronto.

Preciso morrer de novo debaixo da água do chuveiro.

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